Mostrando postagens com marcador Poesias de Willian Simplicio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesias de Willian Simplicio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de março de 2009

“Água lava as mazelas do mundo e lava a minha alma”.
(Caetano Veloso).

Sexta-feira treze


É com alegria e liberdade,
Como se fossem agora elas donas de mim.
Escrevo para falar do encontro
E da lua-cheia escondida por sobre as nuvens;
Escrevo para falar dos corpos
Despidos pelos paradigmas
Impostos como uma espécie de imposto
Pela sociedade civilizada;
Escrevo para falar dos corpos na chuva
E da música destoada,
Desafinada e, ou, não cantada.
A vida implodida pela chuva.
Os movimentos molhados,
Encharcados, estuprados
Pelo vento que a chuva trazia.
Brômio é a chuva neste dia treze
E a graça é a lua que não veio;
E a graça é a vergonha que não veio;
E a graça é a passarela sobre o rio
E os olhos fechados,
Tapados, escurecidos;
E a graça é correr de olhos fechados em Brômio adentrando cada pingo;
E a graça é se desprender dos materiais
Obrigatórios para a civilidade humana.
Desumanizamos-nos e cantamos
E bebemos na chuva.
À noite, mesmo, iluminada
Pelas luzes artificiais, escureceu.
E daí surgiu as coristas-bacantes
“Os andrógenas”.
As putas e os putos que fazem a vida ter graça na graça que não ter.
Cabaré,
Templo consagrado para a orgia.
E aqui reinam os corpos nus
Se afagando e sendo possuídos.
Tudo é vontade, sexo, tara,
Dança, gloria, desejo.
Hoje, Brômio reina no cabaré,
Assim como Exu reina na calada da noite.
A vida é escassa de liberdade
Mas Brômio hoje nos liberta
Lavando os nossos corpos,
Lubrificando nossas bocas,
Incitando os nossos seios,
Os nossos pênis,
As nossas vaginas,
Os nossos cús
Dando lugar a um outro eu,
Antes aprisionado pelos bons modos.
No outro dia nada continua
Sendo o que foi até ali,
Porque o ali
Ali morreu
E o outro eu ganha força de Ser, porque existe.
A lua do dia treze
É como a nossa escatologia sagrada de todos os dias
Não sendo regada pela chuva.
O encontro liberta as deformidades
De um falo pequeno,
Uma bunda murcha
Ou um peito vazio.
Vazia hoje é a moral,
O lógico,
O nous,
A ordem.
Hoje no dia treze de uma sexta feira qualquer
O corpo é tomado como o centro,
O vazio que se enche do novo,
Do desconhecido, do instante,
Do já.


ASS: William Simplicio.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Hoje

Hoje o dia acordou cinza

e a árvore que reside na minha calçada triste

parece que o tempo parou.

o sol não saiu,

o vento não veio

e as férias não passam.

Acordei cinza!

olhando para o violão, em cima do guarda-roupa, que nem sei tocar.

A lembrança traz o gosto amargo da saudade.

Saudade da voz da Lúcia, Marcelo, Roya e dos óculos do Edgar;

do cotidiano poetizado por Maria Fernanda, do sorriso da Patrícia e da Karina;

saudade da cor do Julio, Fernanda e Fernando;

do carinho da Natália e dos olhos da Yumi.

Hoje na tarde cinza

não haverá Sabrina, Gislaine, Lilian, Vanderson,

Alexandre, André, o Cris, a Cris e o Marcelo.

Hoje...

O corpo frio;

o coração calado;

os olhos tristes;

as mãos vazias;

os pés descalços;

o cabelo trançado;

as unhas roídas e a barba por fazer.

Saudade do Murilo, do Osmar e do Rafa,

do cabelo da Jade,

da roupa preta do Yuri,

dos personagens fanhos do Conrado

e das observações do Edú.

... tenho a voz do Alê Matte gravada no meu mp4...

Hoje as imagens (fragmentadas) invadem meu quarto

trazendo lembranças e buscando histórias que os olhos não viram,

em meio, a escuridão do dia 12 de março de 2008.


William Simplicio

sábado, 23 de agosto de 2008

EU

Eu,
que tenho a coragem:
de dormir;
de levantar da cama, depois de acordado;
de tomar banho sobre a eletricidade do chuveiro;
de sair de casa;
de falar com estranhos;
de dizer bom dia;
de andar de ônibus, trem, metrô;
de dizer, não creio;
de dizer não quero;
de dizer não faço ou faço;
de dizer que tenho amigos;
de assumir meus pré-conceitos;
de ver beleza no pezinho do tomate:
de esconder , de mim mesmo, que gosto de plantas, árvores e bichos;
de matar galinhas e escrever poesia com a mesma intensidade;
Eu,
eu não tenho coragem de tirar a roupa;
de me ver nú, inteiro, íntegro na vontade de estar.
Eu que sei chorar e até sorrir, em silêncio, no escuro do meu quarto!
Não tenho coragem de deixar tudo explodir, pra juntar os pedaços e perder os pedaços, se despir pra vida.

... Hoje não haverá espetáculo,
porque ator não quis se despir.
O que temos aqui é uma platéia que veste as cadeiras
e um palco despido pelo ator que não quer se despir.
Hoje não haverá aplausos, para vestir o silêncio
o silêncio ficará assim, nú.
O ator não se despiu e despiu o tempo e a ação
com a ausência do movimento.
Hoje senhoras e senhores
é dia do ator chorar
por não se dar inteiro ao espetáculo,
hoje tem medo!
dos olhos,
da poesia do corpo
e dos seus próprios pensamentos.
Permanecerá no camarim
abraçado a camiseta, seu escudo;
grudado as pernas da calça, sua viga de sustentação;
dentro dos sapatos, seu alicerce de sustentação.
Hoje os refletores não acenderão
o ator não será ele mesmo
porque permanecerá dentro da personalidade que lhe deram ao longo do tempo.
Hoje,
só hoje
não haverá espetáculo!


Protocolo de 23/08/08
Willian Simplicio